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segunda-feira, 8 de maio de 2017

TEATRO



Queremos os olhos voltados para nós
Por mais que tenham dentes nas pálpebras
Para poderem morder
A nossa felicidade débil e saborosa

Sejamos sinceros
Se não verem nosso sorriso
É como se nunca tivéssemos rido
Se jamais nos ouvirem
É como se não tivéssemos voz
Não nos basta pensar
Quero a crítica e principalmente o elogio

Que a luz queime a pele, mas não deixe de existir
A maior dor que sentimos
Está na escuridão e anonimato

Alguém precisa errar a fala e gritar
Viver não é ser lembrado!
Descer do palco sem dinheiro no bolso
E culpa nos ombros

Ao passo que grito e escrevo
Peco em cima desse palco
Com um demônio segurando as cortinas e rindo
Da minha vaidade e ilusão

A única salvação é poder ir embora
Sem esperar aplausos
E caminhar descalço em cima das lembranças
Sem medo de cortar os pés.