>>>> Leia a fotografia, leia o texto <<<<

sexta-feira, 25 de março de 2016

Dúbio.



Quem me dera
Poder visitar as lembranças
Além da insincera realidade
Que minha mente traz
Nos espelhos dos meus olhos.

Cada vez que volto
Uma parte se esvai,
E outra é criada a partir do nada.
Até que por fim,
O que resta é imaginação,
E não mais recordação.

Então, quem me dera,
Não esquecer
O cheiro
Que trazia no pescoço,
Ou cada peça de roupa
Que caia do seu corpo.

Recordar também é
Deixar morrer,
Cada pedaço verdadeiro
Que existiu.

Para suprir com um novo gosto
Um amor que nunca
Deveria ter deixado de existir.

Mas,
Quem me dera ter razão,
E não saber
Que nem sempre
Substituímos
Para deixar vivo.
E sim para aprendermos
Que é melhor viver sem.

Pois são dúbios
Os corpos e os rumos.
E não são de todo mal
As saudades
Que nós abandonamos.

Esquecer é respirar
Novas lembranças.

domingo, 20 de março de 2016

Origem.

O mundo entoa um rastro de raiva
Que faz meu corpo arrepiar,
Alimentando grupos de fobia,
Social, Industrial,
Sentimental.

Provocando uma desordem nos sentidos
que me afastam da inspiração.
O que cheiro hoje,
Antes conseguia sentir
Quase que por poesia o seu gosto
No céu da boca.

Pernas que hoje marcham
Outrora andavam.
Palavras que construíam,
Sentem prazer em devorar
Os rostos até chegar nos ossos.

São frases que secam os lábios
Com facilidade,
E quando a boca se cansa
O peito se fecha.

Talvez tenha sido sempre assim,
E eu só estava sonhando
Que um dia não fomos
Planetas tão distantes.

A diferença talvez seja no volume,
Massas pensantes
Que não sentem o que falam.
E se vestem com cores vivas demais
Para matar.

Quando o discurso é ódio
Nem a chuva lava a alma.

domingo, 6 de março de 2016

Confesso.




Passei a roubar seus traços,
E a ler sua rotina pelos rastros
Dos seus versos,
Que jamais me convidaram,
Mas eu sempre danço saudade.

Passei a beber seu café
Em suas frases doces,
E também a ver
A janela que descrevera
Com as lembranças que trazia
Nos olhos.

Vezes triste,
Mas sempre a descansar
Em uma paisagem
Que pode tirar
Os seus calcanhares do chão.

Gostaria de tomar sua angústia
Em copo com gelo.
Para que só te restasse
Tempo para sonhar.