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sexta-feira, 25 de março de 2016

Dúbio.



Quem me dera
Poder visitar as lembranças
Além da insincera realidade
Que minha mente traz
Nos espelhos dos meus olhos.

Cada vez que volto
Uma parte se esvai,
E outra é criada a partir do nada.
Até que por fim,
O que resta é imaginação,
E não mais recordação.

Então, quem me dera,
Não esquecer
O cheiro
Que trazia no pescoço,
Ou cada peça de roupa
Que caia do seu corpo.

Recordar também é
Deixar morrer,
Cada pedaço verdadeiro
Que existiu.

Para suprir com um novo gosto
Um amor que nunca
Deveria ter deixado de existir.

Mas,
Quem me dera ter razão,
E não saber
Que nem sempre
Substituímos
Para deixar vivo.
E sim para aprendermos
Que é melhor viver sem.

Pois são dúbios
Os corpos e os rumos.
E não são de todo mal
As saudades
Que nós abandonamos.

Esquecer é respirar
Novas lembranças.