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segunda-feira, 22 de junho de 2015

Carne



Transborde em mim,
Que eu quero vestir não só a sua face.

O corpo todo,
Parte por parte,
Até não sobrar medo algum
Solto no mundo e no seu torso.  

Imagine que estamos a sós no mundo.
Esqueça as paredes que nos cercam,
Enquanto se despe dos seus preconceitos,
E se veste com seus melhores desejos.

Abra as pernas ao meu redor,
Se enrole no meu pescoço
E esqueça de respirar.

Feche seus olhos,
Esqueça os nossos rostos
Enquanto segue os sons e os cheiros.

Perca-se na escuridão
E veja as estrelas que nunca alcançaremos.
Mas alçamos nossos corpos o mais próximo delas
Com o que sentimos.

O espaço entre nós tornasse ínfimo,
Quase escuto sua circulação
Quando mordo sua carne.

Sigo as batidas do seu coração,
Que aceleram,
Se entregam.
Como eu estou entregue a você
Antes mesmo de sair qualquer pedido
Dos seus lábios.

Não invente suas dores mais,
Sinta-as.
Só vale a pena gemer se for de prazer.




quinta-feira, 4 de junho de 2015

Releitura.



Você não existe na solidão.
Todos os sons que saem da sua boca,
Todos os cheiros que você exala durante o dia.
Não existem se não há alguém para senti-los e escuta-los.

Seu rosto no espelho deixa pistas,
Você ensaia sua fuga
Mas não interpreta sua saída.
Decora o texto mas erra a fala.

Tragicamente atraente,
E você se segura.
Sua boca geme,
Mas não lhe diz para continuar ou parar.
Seus olhos dizem para aproveitar.
Aproveitar que suas roupas ainda estão no chão,
A vida é nua.

Tome-a!
Seu pescoço pesa sempre para o lado oposto,
Acostume-se,
Sabem que você quer o gosto,
Por isso te dão o cheiro.

Podes ter!
Não só odor,
E sim o encontro dos lábios e dentes na pele.
Enquanto ela não segura mais suas pernas de tanto prazer
E se sente derrotada, amada.

E era isso que ela queria,
Ser tragada,
Mostrada e exibida como bela,
Mesmo que seja como um reflexo no fundo do copo.
Seu copo.
Que vai esvaindo os anos e os planos,
Sobrando um reflexo meio torto,
Mas que foi bebido, sofrido e vivido.

É difícil compreender,
Não se dá meios a tolos,
Não contem placas dizendo como chegar.

Mas a vida é nua.
Nua e muda!
Se pudesse falar contigo,
Diria,
Que tudo que te deu foi consequência do que a fez sentir.