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quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Rotina.



Seco-me e saiu,
Visto a pele e meus ossos,
Cubro meus olhos e finjo ser algo,
Algo além do nada
Que via outrora no espelho.

As conversas afiadas nos ônibus,
Não dizem nada,
Mas dilaceram meus ouvidos.
Em alguma esquina
Perdemos toda a essência das palavras.
Somos inúteis,
Ao toque,
A fala
E aos desejos.

Desejos que compram,
Que tomam,
E sugam uma vida.
Para no fim,
Não ser nada
Além de tempo gasto.

Gasto como a parte rasa do sapato,
Gasto como o seu cabelo ralo,
Gasto como o amor insincero
Que queima como brasa
Um coração GASTO!

O relógio se zanga e passa,
Empurra meus ombros
Até o ponto,
O vento leve até me inspira,
Salto da miséria a poesia,
Por alguns segundos
O mundo é meu.
E eu sou apaixonado por ele,
Mas se apaixonar é só a ponta de um iceberg.

Logo você percebe e se enraivece,
Queria que todos pudessem.
Pudessem tudo!
Nesse mundo que é meu.
Mas que escapa entre os dedos
E deixa muitos sonhadores
Em uma vala de enlouquecimento.

Tiro meus ossos,
Deixo de lado minha pele,
Deito-me na cama
E ao meu lado está,
A minha parte vitoriosa
E a derrotada cicatrizada pelo sol.

Elas se fundem no lençol
Enquanto se odeiam.  
Ao menos estou em casa,
Mas não durmo ainda assim.

Ainda existem mundos,
E algumas dores
Para encontrar,
Antes de simplesmente sonhar.