>>>> Leia a fotografia, leia o texto <<<<

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Releitura.



Você não existe na solidão.
Todos os sons que saem da sua boca,
Todos os cheiros que você exala durante o dia.
Não existem se não há alguém para senti-los e escuta-los.

Seu rosto no espelho deixa pistas,
Você ensaia sua fuga
Mas não interpreta sua saída.
Decora o texto mas erra a fala.

Tragicamente atraente,
E você se segura.
Sua boca geme,
Mas não lhe diz para continuar ou parar.
Seus olhos dizem para aproveitar.
Aproveitar que suas roupas ainda estão no chão,
A vida é nua.

Tome-a!
Seu pescoço pesa sempre para o lado oposto,
Acostume-se,
Sabem que você quer o gosto,
Por isso te dão o cheiro.

Podes ter!
Não só odor,
E sim o encontro dos lábios e dentes na pele.
Enquanto ela não segura mais suas pernas de tanto prazer
E se sente derrotada, amada.

E era isso que ela queria,
Ser tragada,
Mostrada e exibida como bela,
Mesmo que seja como um reflexo no fundo do copo.
Seu copo.
Que vai esvaindo os anos e os planos,
Sobrando um reflexo meio torto,
Mas que foi bebido, sofrido e vivido.

É difícil compreender,
Não se dá meios a tolos,
Não contem placas dizendo como chegar.

Mas a vida é nua.
Nua e muda!
Se pudesse falar contigo,
Diria,
Que tudo que te deu foi consequência do que a fez sentir.