>>>> Leia a fotografia, leia o texto <<<<

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Sempre há tempo.


Anoitecia e aos poucos os postes se acendiam,
As ruas por sua vez secavam o asfalto molhado pela chuva de verão.
Não havia som, somente alguns carros que passavam no quarteirão.

Ajeitava a camisa olhando para cama,
E lembrara que tinha que sair,
Mas era um daqueles encontros que tudo que você não quer fazer é sair.

E todos aqueles que existiam nele pareciam sobrecarregar suas pernas,
Eram passos lentos até o banheiro,
Eram movimentos lentos até o cabelo.

Até girar a chave para enfim sair estava confuso.
Não sei se estou trancando ou abrindo.
Só sei que estou fugindo.

Mas não sei do que,
Pois saiu do ninho para um encontro ás sete,
 Ou às cegas se preferir.
Pois não sei o que sinto, que fico ainda no pé da escada,
Sem conseguir lembrar o porquê saiu hoje.

Desço os degraus, a chuva ameaça,
Parece que o mundo suspirava e agora grita para me fazer ficar.
Não sei se abro a porta do prédio e ou se ligo dizendo que quebrei a perna na escada.

Mas para quem ligo? Se não lembro aonde ia e nem com quem iria.
Saiu,
E vou andando, penso em virar algumas esquinas.
Esfriar a cabeça e ver se consigo lembrar.
Ainda há tempo, minto.

Mas sempre há tempo,
Tempo nem que seja pra se piorar algo ainda mais.
Sempre há tempo, minto.

Eu só sinto que quero andar,
Se antes não queria sair, agora que sai só quero andar.
Não quero encontrar nada nem ninguém,
(Nota: Meus sorrisos estão acabando, tenho que comprar mais).
Não quero ter que parar e pensar em algum jogo de frases mal feitas e sem graça.

Eu já tentei demais,
Tentei encontros consigo,
Contigo, convosco.
Tenho o direito de somente andar também!

Chego a uma ponte velha,
Logo abaixo o barulho violento do rio em uma noite qualquer.
As minhas pernas ainda estão pesadas e já me cansam,
Os carros passam ligeiramente perto da calçada fina que nos separa,
Quase que de encontro comigo.
É isso!