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quarta-feira, 23 de julho de 2014

ODE.



Aos velhos,
Que viajam alheios a cidade que tanto conhecem,
Ao avesso da juventude,
Com mais velhice debaixo dos olhos do que na idade.
Com mais tristeza do que cabelo,
Com mais rugas do que dinheiro.

Gostaria que vocês fossem jovens como eu,
Mas não tristes como sou.
Já tens mais tristeza do que sonhos,
Já acordaram para a vida,
E ela acorda ainda,
Todo dia às seis da manhã.

Aos jovens,
Alheios não só a cidade que mal conhecem,
Com a juventude somente na ponta dos dedos na tela de retina.
Com noites mal dormidas debaixo dos olhos,
Guardando a empatia em casa,
Vestindo orgulho outrora falsidade.

Que seus olhos vislumbrem o céu,
Que seus sonhos possam atingir cometas,
Derrubando estrelas.
Que jamais queimem suas asas ao chegar próximo de mais do sol,
Que nunca envelheçam de dentro pra fora.

Que todos vocês ao perecer diante da solidão,
Deleitem-se com o silêncio que ela traz,
A paz que ela busca
E os pensamentos que ela traz.

Que maldade não é o pessimismo,
E muito menos bondade seja o otimismo.
Não se realiza sonhos somente com pensamentos.