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domingo, 11 de agosto de 2013

O que há de errado nas cores



Quem retirou as cores da angústia
E entregou o vermelho à paixão
Não sabia o que fazia

Da paixão retiro a inspiração
Da perda a poesia

O pensar sem perceber
Não te dá noção do tempo
Que a propósito não tem cor

Mas passou enquanto você via cores
E alisavas seu mento

Enquanto sentia o peso do que carregavas
E o escapar do mesmo pelo ombro

E ele
Vestido de algo negro
Que te protegia
Enquanto tu pensavas sem perceber
No que realmente estava por acontecer

Não retiro os créditos do azul
Ou do castanho dos olhos de alguém
Que amor lhe proporcionou
Mas não me prenda o preto e o branco

Irascível és tu
Que propenso à ira
Retira o vermelho
Do corpo

Nunca acredite que cinza é a dor
Enxergamos cores
Mas flores são flores
Mesmo em uma fotografia sem cores






terça-feira, 6 de agosto de 2013

Mau gosto

Que agosto enlouqueça e se esqueça de viver
Como porcos se jogue do penhasco
Não aprenda a voar na queda
Conceda amor
Nos conceda seus dias, agosto

Para que setembro bradando marche
Conquistando semanas do mês passado

Não solte risos, agosto
Não encontrará presteza alguma
Desgostoso de lhe viver estou

Farei de ti apenas inimigo
Trago comigo a aurora
Trago comigo o vento funesto

Que empurrará setembro
Com suas flechas
Seus canhões e seus piratas
Para saquear seus dias
Não me levas mal, agosto

O problema são os sonhos que me trouxe
Que me deixara ansioso
Para que passes
E se torne apenas artista
Esquecida
Ou arte envelhecida

Não te desanimes
Com cautela não te digo adeus
Te digo até logo
Nos anos vindouros
Tu serás somente agosto
Sem o mau gosto meu

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A vida, a fotografia



O chão úmido enfeitava minha vista
Enquanto o cheiro de cigarro perfumava o ar
Copo, corpos
Respirava fundo todo o ar que podia

Clic! E soltava todo o ar
E mesmo meio torto a vida parava
Homens e mulheres
Não iam pra lugar algum mais
Um espelho refletia as minhas costas e o que já se via

Era como imaginar o rumo de cada um
Analisar suas vidas, diante do que se sentia
Suas manias
Sua pressa, seu rosto cansado
Um outro quase apagado
Do que vocês tem medo?

Era como pedir à vida que ela parasse de rodar
Parasse de girar, já estávamos tontos de mais
Com os ombros baixos, fingindo sentir prazer
Exalando saber com roupas e cabelos
Só queríamos parar de correr

E eu quase sentia a fumaça percorrendo seu corpo
Ou sua bolsa pesada no ombro

Quase sentia o frio que você sentia e não existia
Enquanto sua idade gritava no rosto
Sua experiência não te dava mais planos
E você adoecia
Nós adoecíamos juntos

Eu quase chorava com o verde morrendo aos poucos
Com o chão cinza sujo, com folhas não de outono  
E com a vontade de dizer
Pare!

Mas não me daria ouvidos
Envelheceria, me traria rugas
E partiria

Ela me alisa, deita sobre mim
Doce vida
E depois me castiga
Amarga vida