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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

E então durmo



Durmo cedo, durmo errado, deveria ter dormido tarde, para ter o sono pesado.
Mas meus olhos se entregam, as pálpebras se batem, os cílios se encontram e a escuridão me toma.
Durmo errado. Ainda resmungo com a mão direita debaixo da cabeça, minhas pernas se queixam do frio e eu as puxo pra cima em um movimento tão rápido que minha pele se esquenta no colchão.
Meu braço esquerdo só faz peso em cima do corpo, avulso, perdido sem saber sua função. Saudade de acordar com o braço dormente do peso da sua cabeça nele.
Saudade de acordar assustado com você me dando um soco enquanto dormia ou sem querer quase entrando com seu corpo debaixo do meu.

E então durmo.
Não se percebe quando realmente o sono te pega pela mão e te chama pra dançar.
Pra fugir dos seus medos, esquecer seus problemas, correr de demônios, matar vilões, ser herói ou simplesmente descansar depois de um dia chato que mais tombou do que andou.
Mas dormi errado, dormi cedo de mais, assim tenho sono leve, acordo muitas vezes, com o frio, com os sonhos em excesso esperando que o relógio tenha regresso, para descansar mais e não sonhar mais.
Mas dormi cedo e o sono me conduziu até você.

E é só você entrar no meu sonho que meu sono fica leve como uma pluma e ‘vezes sempre sim’ acordo assustado de mãos vazias, respirando fundo.
Não enxergando minhas mãos na frente do rosto, em cima do corpo.
Mas às vezes já é manhã e enxergo tudo, menos você.

Vezes sempre sim seu cabelo curto, escuro, ruivo, tantos tons.  Enrolam nos meus dedos no meio do sonho, nossos corpos se espargindo pelo colchão temem o chão e suas mãos vão das coxas ao pescoço, seus olhos me fintam rápido e quando se fixam vejo seus lábios trêmulos, envergonhados, entre abertos, soltando sons.
Não vejo mais à maquiagem que carregava nos olhos ou no rosto todo, te vejo nua, crua e gosto.
Seu cheiro verdadeiro aflora e eu adoro, respiro fundo como se isso fizesse o tempo passar a andar de costas, temendo cada passo sem ver onde pisa.

Eu queria nunca ter te conhecido pra te conhecer.
Conhecer novamente seus olhos puxados, suas pernas lívidas, seus medos e seus lábios. Para te conhecer antes deles, para te ter antes deles, não é tão importante essa parte.
Mas é que mal acabou e eu já quero te conhecer novamente. Nos despistamos no meio da noite, no meio de um sonho e eu já durmo cedo para te ter novamente.
Confesso.