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domingo, 27 de outubro de 2013

Quem sou?



Eu não sou como flores que morrem sem água,
Não me pisas, não me açoita,
Não vivo por respirar,
Não sou humano, sou infinito.

Sou velho, sou novo, sou louco e arguto.
Movo-me sem o ar me impulsionar,
Estava aqui antes de você, não por você.

E você insiste em tentar me alcançar,
Insiste em pensar que me perde,
Quando nunca me teve.
Insiste em me beijar, me usar e falar sobre mim.

Como se eu me importasse contigo,
Estou só a rodar,
A dar nós na cabeça dos vivos,
Faze-los ir ao norte, ao sul.
Sou eu quem faço você esperar a primavera,
Desejar um ano novo jubiloso.

Não sou branco ou corado,
Não sou azul, dourado ou amarelo,
Não carrego ponteiros,
Não sou de corda, de pilha, bateria.
Não me contas,
Não me tens, não me subtrai e nem adiciona.

Sou maleável,
Sou rápido se me esqueces,
Sou lento se lembras.
Me adapto ao seu humor.

Não sei quem sou,
Não consigo me definir, não me definas,
Não me julgue, não me mate.
Não deixo o mundo,
Ou ele não me deixa sair.
 
Nunca me alcança e eu passo,
Vejo a morte,
Vejo a vida,
Vejo a alva,
Não sou o vento.

Dou-lhe ócio,
Passo entre a cortina,
Passo entre seus dedos,
Caiu no chão e continuo rolando, passando.

Sou quem você não podes pegar,
Respirar,
Ter e sentir.
Sou quem você pode aproveitar.

Talvez.

Em uma tarde vazia,
Com um livro,
Com um amor,
Com a vida.