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quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A vida, a fotografia



O chão úmido enfeitava minha vista
Enquanto o cheiro de cigarro perfumava o ar
Copo, corpos
Respirava fundo todo o ar que podia

Clic! E soltava todo o ar
E mesmo meio torto a vida parava
Homens e mulheres
Não iam pra lugar algum mais
Um espelho refletia as minhas costas e o que já se via

Era como imaginar o rumo de cada um
Analisar suas vidas, diante do que se sentia
Suas manias
Sua pressa, seu rosto cansado
Um outro quase apagado
Do que vocês tem medo?

Era como pedir à vida que ela parasse de rodar
Parasse de girar, já estávamos tontos de mais
Com os ombros baixos, fingindo sentir prazer
Exalando saber com roupas e cabelos
Só queríamos parar de correr

E eu quase sentia a fumaça percorrendo seu corpo
Ou sua bolsa pesada no ombro

Quase sentia o frio que você sentia e não existia
Enquanto sua idade gritava no rosto
Sua experiência não te dava mais planos
E você adoecia
Nós adoecíamos juntos

Eu quase chorava com o verde morrendo aos poucos
Com o chão cinza sujo, com folhas não de outono  
E com a vontade de dizer
Pare!

Mas não me daria ouvidos
Envelheceria, me traria rugas
E partiria

Ela me alisa, deita sobre mim
Doce vida
E depois me castiga
Amarga vida